segunda-feira, 17 de agosto de 2020
quarta-feira, 15 de julho de 2020
segunda-feira, 9 de março de 2020
SUCULENTA
No tempo dos afetos da sororidade, ganhei hoje uma suculenta da minha amiga Taís Ladeira.
É uma plantinha que armazena água, da família dos cactos, mas
sem os espinhos. Parece incrível que uma coisinha tão delicada sobreviva em
desertos e não definhe. Como um recado da natureza que há uma vida vibrante no
mundo interior.
E dei de pensar que as suculentas são assim como nós, mulheres,
por vezes habitantes de lugares inóspitos, que podem crescer sem a chuva e sobreviver
em ambiente inabitável, atravessando tempestades de areia e vendavais, que transformam o mundo em terra frágil.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2020
SINAPSE
Ultimamente ando prestando atenção a termos da Biologia. Provavelmente influenciada pelo filme do Bong
Joon-Ho.
Tenho biólogos na família, mas minha compreensão de algumas coisas
é do tempo da escola, o que me leva recorrentemente ao “professor Google” para esclarecer o que
me apoquenta.
E justamente por falar em Parasita, a postagem da Janaina
Paschoal no Twitter se derramando em elogios ao filme, recomendando a todos, me
fez pensar em sinapse.
A Biologia explica que se trata da “região de proximidade
entre a extremidade de um neurônio e uma célula vizinha, onde os impulsos
nervosos são transformados em impulsos químicos em decorrência da presença de
mediadores químicos”.
No uso popular a palavra aparece para indicar que a pessoa tem que
saber ligar as pontas de duas equações, o famoso “lhé com cré”. Ocorre que,
conhecendo as posições públicas da moça, que agora decidiu que nunca foi
bolsonarista (podemos pasmar?) a gente conclui facinho que Janaina Paschoal não
sabe fazer sinapse. E eu bem que gostaria de saber o que diabos ela entendeu de
um filme que faz uma crítica social requintada como esse.
Nesse rumo, Jana periga querer sair no carnaval da Mangueira
e achar que o enredo é super bacana...
sábado, 15 de fevereiro de 2020
Pai, afasta de mim esse “cale-se!”

Na composição dos silêncios andei achando bom calar-me sobre muitas
coisas. No ano que findou escrevi muito sobre política. Havia muito barulho e quase
nenhuma poesia, o que acabava motivando desafogo sobre o mundo posto: medos,
dores, desatinos. Mas carecia a calmaria para olhar o mundo com paciência,
mesmo que houvesse tristeza e desalento.
2019 passou com muitos estragos. Foi tanta destruição que a
mim pareceu mais interessante roubar letras de canções, e buscar esperança nas palavras alheias, que pensar em como transformar “o tédio em melodia”. As
incessantes dúvidas sobre o que viria ocorreram meio na velocidade Twitter,
tipo: se é já foi, e se não viu, já passou!
Deve ter havido em mim uma restrição mental para enxergar sob
as superfícies. De todo modo, alguns dos artigos que escrevi para os blogs
achei por bem colocar aqui, como o do livro do Chico Buarque e do filme da Petra Costa, que
foi pro Oscar (oh, yes!). Uma leveza diferenciada, creio.
Agora, acho que mais que os dedos, o coração me pede pra
colocar em palavras o que a alma sente. Dou por mim em incessantes dúvidas e
constantes mutações. Há cores e sabores. A melancolia tem um travo doce, de ingá,
que escorre pelo queixo. O branco e preto se cercam de cinza pra mostrar que
toda certeza é vã. Mas eu quero enxergar as cores todas lá na frente, como um
arco íris que a gente só consegue ver quando suspira, senão a retina repele.
No tempo parado, os dias foram pontuados de um sentimento de preguiça,
sem ambição ou estímulo, se alongado como um gato que se estica em um
parapeito. Andei vendo filmes que todos amaram menos eu, e lido sobre livros
que desfilam por mim nas prateleiras das livrarias, mas não lhes dou morada. Um
estranho começo de percepções foi esse 2020.
Estive no Rio por uns dias. Aquele lugar que sempre me será
fascinante, de pessoas intensas e únicas em sua assertividade incerta, cidade cada
dia mais cheia de falhas e desastres, que surpreendentemente me invade por
enormes ondas de encantamento, nas rodas de samba e nos afetos guardados, uma
energia pulsante. Um verão de alternância, que quase sempre fez sol.
Quanto mais me mesclo ao povo daquele lugar, mais aprendo e
me surpreendo com as artes da sobrevivência. Um dia espero saber o bastante pra
mim e pra quem mais precisar que eu ensine. Por enquanto, vou sentindo os
cheiros da feira, a brisa do mar e os acordes do bandolim nas rodas de choro.
Mas...
Tudo isso foi em janeiro. Depois que aterrissei na cidade dos
Três Poderes, muito ou quase nada se passou. Sim, a ótica é difícil mesmo. O
parlamento, com suas pautas incoerentes, já anda a todo vapor, o Executivo desgovernando
pelo Twitter, dirigentes proferindo publicamente toda sorte de preconceitos e bizarrices
para plateias atônitas, e o Judiciário decidindo tudo por todos: o que vale e o
que não vale, o que é lei e o que não é.
Vem eleições por aí. Por aí nos lugares outros, não na capital
federal. Aqui ficaremos na observação.
Se lamento? Não mesmo!
A pestilência de 2018 ainda me dói nas vísceras. Não será
ruim ficar ainda um pouco mais de tempo longe da disputa fétida em que os militantes do
ódio transformaram a disputa democrática.
E antes que me desvie de vez, o post foi apenas pra dizer que quero
retomar a escrita do blog.
O ritmo vai depender de coisas várias, mas a vontade
está posta.
A VERTIGEM DA DEMOCRACIA
(publicado originalmente em julho de 2019:
https://www.brasildefato.com.br/2019/07/24/a-vertigem-da-democracia)
https://www.brasildefato.com.br/2019/07/24/a-vertigem-da-democracia)
Três dias antes do
turbilhão detonado pelas revelações do portal "The Intercept Brasil", Petra Costa
lançou seu filme “Democracia em Vertigem” que narra,
justamente, os processos que conduziram o ex-presidente Lula à prisão. Para
quem, como eu, viveu grande parte das cenas por dentro, com uma lente de
aumento indesejada, assistir o documentário é um reviver emocional muito forte.
A linha narrativa da diretora nos guia, com um fio invisível e sem que tenha
sabido disso, às divulgações de Glenn Greenwald e as conclusões de como homens
usaram o sistema de Justiça para concretizar seus interesses políticos
espúrios.
O
filme não tem um final, estamos no meio dele, em uma teia que bem poderia ser
relegada à ficção, tamanha sua trama maléfica. E nos induz às lágrimas, de dor
ou de raiva, diante da inexorável realidade que, mesmo percebendo, não fomos
capazes de alterar.
Do ponto onde enxergo o
mundo e sinto o ritmo da vida, estamos em uma encruzilhada como sociedade
brasileira. Em menos de sete meses – prazo de uma gestação prematura - o novo
governo já fez uma quantidade tão grande de estragos que é difícil mensurar.
Muitos eventos se deram na velocidade twitter: enquanto se
pensava a respeito, já foi. As reações são de correr atrás para buscar, dentro
do próprio sistema, minimizar impactos. Isso quando é possível fazê-lo. As
aberrações na área da cultura, da educação e do meio ambiente são irracionais.
Momentos há em que o esforço para acompanhar os atos oficiais de desmontes se
equipara à circunstância de alguém que se afoga, em luta para voltar a respirar
a cada vez que afunda.
Como cidadãos de nosso
lindo país, o que temos, afinal, para o futuro? Uma noção de realidade relegada
pelo contemporâneo e confuso jogo de poder, que buscamos preencher com esperanças
de promessas a alcançar? O temor de que nossa reação nos traga, em resposta, o
recrudescimento e fechamento das instituições é um espectro que nos ronda,
assumido por uns, negado por outros, mas presente no imaginário coletivo.
Para quem tem a ousadia
de ser progressista e não tem interesses escusos, nosso fazer acontecer no
Brasil de Bolsonaro mostra-se uma busca que vai muito além de suplantar e
impedir os retrocessos sociais, trabalhistas, de justiça e defesa de direitos,
postos em desbaratada carreira ladeira abaixo. Em um cenário em que a
violência, estatal e privada, é estimulada nos discursos, nos atos e em
projetos de lei; em que o presidente e seus ministros explicitam toda sorte de
impropérios, estupidezes e ignorâncias sobre minorias, sobre a ciência e as
conquistas civilizatórias, e que o sistema de justiça é usado como arma de
perseguição política, é preciso repensar fórmulas de reconexão com o que toca
as pessoas além do imediatismo.
Nesse cenário, nosso agir é operado com quase nada posto à mesa das virtudes. para cortar o devastador cotidiano e criar novos paradigmas. Os mecanismos dados e os inimigos a enfrentar nessa caminhada não são nada simples, nada facilitadores. O jogo é incivilizado, acobertado por artifícios que o fazem parecer irrepreensível, por jargões como “combate à corrupção”, “enxugamento da máquina pública”. O populismo de extrema direita, em sua estratégia de ocupação de poder, trabalha para destruir sistematicamente a memória de conquistas históricas, camuflando-as para desconstrui-las.
Nesse cenário, nosso agir é operado com quase nada posto à mesa das virtudes. para cortar o devastador cotidiano e criar novos paradigmas. Os mecanismos dados e os inimigos a enfrentar nessa caminhada não são nada simples, nada facilitadores. O jogo é incivilizado, acobertado por artifícios que o fazem parecer irrepreensível, por jargões como “combate à corrupção”, “enxugamento da máquina pública”. O populismo de extrema direita, em sua estratégia de ocupação de poder, trabalha para destruir sistematicamente a memória de conquistas históricas, camuflando-as para desconstrui-las.
Sob a batuta de um
governo com características profundamente autoritárias, homens de dispendiosos
ternos e gravatas ditam ordens de seus escritórios, em largas avenidas do país,
em nome do invisível mercado, para colocar em marcha as reformas que lhes
interessa. Homens de adulterados discursos, em um Congresso Nacional com
parentes militares e fundamentalistas, viciado e contaminado por práticas
espúrias, aprovam as normas para colocar o trem do retrocesso nos trilhos e percorrer
o caminho de volta ao passado. Do outro lado da mesma praça, homens de toga
decidem quem participa do jogo, de que forma e em que posição, quem é expulso e
quem é empoderado ou intocável; decidem o que segue e o que para. Para lembrar
que houve futebol domingo, são os “donos da bola”.
Nesse jogo em que impera
toda sorte de práticas altamente questionáveis, antidemocráticas,
anti-humanistas ou, para persistir na metáfora, antidesportistas, tentamos não
ser apenas torcida, mas também influenciar nos resultados. E o desafio
principia por nossa capacidade de não nos acostumarmos, rechaçar o método que
nos impõe normalizar abusos como regras, pressionar para que a Justiça não seja
o pão servido na mesa de alguns, que liberdade e Constituição não sejam apenas
conceitos vagos e frágeis, usados falsa ou superficialmente em espaços onde a
democracia não seja, de fato, uma ideia perseguida. Ou pior, adotadas como
máscaras de realidade de poder de uns sobre muitos. É preciso ressignificar as
palavras.
A vertigem que nos cerca
os dias não pode nos impelir ao medo, porque coragem e solidariedade são os
primeiros grandes sintomas de resistência ao domínio consentido. Ao reproduzir,
como muitos, a ideia de que travamos uma luta entre civilização e barbárie, não
podemos traduzir em rejeição pela esperança, ou seremos consumidos pela
engrenagem e nos adaptaremos, fatalmente, à nova realidade.
Se o futuro de hoje se
nos apresenta uma distopia, é preciso que nosso presente seja movido para
construí-lo para muito além do patamar simbólico e imaginário que pontua Petra
Costa, ao fazer analogia de sua idade com a da democracia brasileira. O desafio
do momento atual é reinventar, ou descobrir de fato, novos mecanismos de luta além
de todos os ganhos e perdas. É nossa teimosia, mesmo em terra arrasada, que
alimenta o novo, que há de vir.
No campo minado de
desfechos incertos, teimemos.
ESSA GENTE
Quem
me conhece bem, ou até mais ou menos, já sabe que gosto de ler quase tanto
quanto gosto de dançar, de samba e cinema, e mais até que de vinho, sorvete e
açaí, o que não é pouco. Mas não sei dizer que tipo de leitora sou, nessas
definições-padrão que rolam por aí.
Há
livros que me consomem de tal forma que terminar de lê-los vira um suplício:
desmarco compromissos, fico ansiosa em voltar para casa e ler a próxima página,
e perco noites inteiras de sono. Ou, pior, cometo a insanidade ou indelicadeza
de leva-los a lugares onde absolutamente não deveria, apenas para poder
adiantar mais um pouco a leitura. Isso é o mais comum. Há outros que leio aos
poucos, sorvendo as letras, quase lamentando que cheguem ao fim. Não há muita
explicação para a ausência de ansiedade, já que pode acontecer com um romance
ou uma análise técnico-jurídica sobre um tema qualquer. O novo livro do Chico
Buarque esteve nessa segunda possibilidade. Ganhei da Carol há uns bons dias,
quando chegou às livrarias, e fui lendo no ritmo do protagonista: em
apontamentos diários, ou quase. Acabei.
Eu
li os livros anteriores do Chico. Todos eles. Os críticos literários costumam aproximar
ou afastar as similitudes das narrativas, dos contextos e das formas, o que eu
particularmente acho chato. Não é que dá para esquecer os outros romances e
suas abordagens, mas nunca penso neles ao ler um livro novo. De autor algum. Exceto
quando o próprio assume a continuidade de eventos de um para outro, como
Saramago em seus ensaios sobre a cegueira e a lucidez.
E
já que não sou crítica literária, ainda bem, e não tenho qualquer compromisso de
coerência e conhecimento profundo de conceitos adotados pelos intelectuais
dessa área, li “Essa Gente” como um texto único, que não se relaciona com
outros, exceto por ser obra da mesma mente. E escrevo sobre ele a partir de
minha percepção leiga, simples e desafetada, já que, definitivamente, não vou
influenciar ninguém, positiva ou negativamente, a ler o livro. Nem teria
tamanha pretensão. Paradoxalmente, talvez pela história se passar no Rio de
Janeiro, no bairro onde Chico Buarque mora, e o protagonista ser um escritor, pareceu
quase impossível não tentar buscar semelhanças entre criador e criatura, autor
e personagem, o que perdura em mim até o final, e de volta ao meio. Ao mesmo
tempo, e complementarmente, várias passagens me recordaram naturalmente trechos
de canções buarqueanas, que talvez não tenham propositadamente qualquer vínculo,
ou nunca o saberei.
A
narrativa de diário, que dá de início alguns saltos para trás e volta ao
presente, para construir a linha discursiva da novela do protagonista, ocorre
dentro dos três últimos anos da história do Brasil, esses mesmos que costumamos
abordar em nossas análises de conjuntura, como uma quebra de paradigma. 2016, o
ano em que vivemos um impeachment – e a mim é impossível esquecer que o
vivi por dentro – e a democracia entrou em uma espécie de “pausa”, como já fora
dito por um ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, é quando começa a história
de Manuel Duarte, encontrado morto em seu apartamento no Leblon, no dia 19 de
setembro último, quando o Brasil se encontra sob um governo com características
profundamente conservadoras e ditatoriais.
Escrevendo
sobre o Brasil atual, que caminho fácil e tentador seria para Chico assumir,
como autor, uma posição maniqueísta e dual. Se assim fosse perderíamos, como
leitores, sua inteligente observação de uma sociedade complexa e conflituosa, a
partir de fragmentos inteiros de realidade que nos apresenta. E que equívoco
seria deduzir que, por não ter a obviedade de um produto de consumo direto e
fácil, como um artigo que pretendesse fazer crítica social, a advertência não
estaria lá. De fato, no livro, as personagens funcionam como fios condutores de
amostragem das fraturas de nosso tecido social, como na evidência do bullying escolar, no espancamento
gratuito desferido por um “cidadão de bem” contra um homem em situação de rua
ou nos conflitos de indivíduos ou coletivos com a polícia, que sempre terminam
em morte, além das diversas menções a eventos reais, em um exercício subjetivo
de provocação e aproximação da ficção aos fatos ocorridos, como os 80 tiros
dados pela polícia a um carro matando um músico negro, mastigados pelo cachorro
fictício ao comer o jornal.
Chico
assume o risco ao escrever em um formato diferente na linguagem, que tem como
resultado uma leitura fluida. A trajetória construída, com a cronologia que vai
sendo organizada, tem o amparo de outras personagens que por alguns poucos momentos
se apropriam da narrativa, como as duas ex-mulheres de Duarte, por meio de suas
cartas, ou uma vizinha que intenta retirá-lo do prédio. Uma
criatura arrogante que sintomaticamente é uma juíza, em um país em que nada
parece acontecer sem a participação de juízes.
Voltando
ao ponto de intersecção, uma frase de Chico Buarque sobre o Rio de Janeiro, que
sempre me vem quando contemplo a cidade de um ponto alto, e que para mim define
de forma definitiva sua assombrosa beleza, em sua contradição inexorável, é da
música Carioca: “o poente na espinha das tuas montanhas quase arromba a retina
de quem vê...”. Quando Duarte diz, após narrar mazelas urbanas: “estarei
condenado a amar e cantar a cidade onde nasci” há um entrelaçamento definitivo
entre os dois. E foi para as exatas páginas 48 e 49, em que o diário registra
20 de fevereiro de 2019, que voltei quando cheguei ao fim e descobri que o
romance escrito por Duarte sumira misteriosamente do computador após sua morte.
E li novamente, após aquela sequência de declaração de amor ao Rio, “meu livro,
meu livro, meu livro” com a certeza, que nunca terei de fato, que o romance
escrito por Manuel Duarte durante sua epopeia, foi descaradamente roubado por
Chico Buarque, e se chama “Essa Gente”.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2020
2020
A virada do calendário, que praticamente nos obriga a pensar
em recomeços, dura até mais ou menos o carnaval.
Retomarei o velho blog? Não sei não, talvez...
Mas hoje eis-me aqui, no segundo dia do primeiro ano da nova
década. Deve ter algum significado esse vinte dobrado. Se tivesse um livrinho de numerologia eu o consultaria, mas qual...
Fato é que eis-me aqui, caçando letras no silêncio pra traduzir-me. Algumas vezes impossíveis letras. Não há sentir senão pela imagem, como decifrar o reflexo do Lago Paranoá no último dia do ano na foto acima.
Fato é que eis-me aqui, depois de sobreviver no inóspito coletivo
que virou o mundo e nosso país dentro dele, anos em que tivemos que arrancar alento
e sustento filosófico das pedras, permanecermos íntegras e íntegros, inteiras e
inteiros em um cenário desolador.
Por teimosia forjando esperança.
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