terça-feira, 15 de janeiro de 2019

CEM ANOS SEM ROSA


A ROSA NO NOME

“por um mundo onde sejamos totalmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”
(Rosa Luxemburgo)

Quando se é menina e descobre que o mundo pode ser mais plural e complexo que sua vista alcança, algumas personagens aparecem em meio às possibilidades para decifrar caminhos, como exemplos e emblemas nos mapas dos caminhos a seguir.  Ler Rosa Luxemburgo me fora tão ou mais impactante na adolescência militante quando saber dela, de sua vida, sua luta contra todas as formas de tirania.
Dizer que Rosa viveu à frente de seu tempo - um entrecruzamento entre os Século XX e XXI - não parece bastante para definir uma mulher judia, profundamente culta e sábia, que viveu e defendeu a liberdade com paixão em todos os campos, na arte, no amor, no sexo. Fez importantes reflexões sobre os indígenas, fundamentando que esses povos representavam valores, ideias e formas de organização social superiores aos da civilização capitalista. Sofreu ataques machistas de seus companheiros no partido socialista alemão, enxergou o potencial do feminismo. Reconhecida como uma das mais importantes revolucionárias de seu tempo, uma defensora da revolução russa de 1917, não se esquivou de expor suas divergências e fazer críticas dentro do campo de esquerda, mesmo aos bolcheviques. Presa várias vezes, foi assassinada pela socialdemocracia em 15 de janeiro de 1919, há exatos cem anos.
Se igualdade é a palavra que as obras de Rosa imprimem ao pensamento revolucionário, inspiração é o que sua vida evoca. De forma inédita, ela estabelecia suas condições de atuação em terreno completamente hostil.  Desse modo, jogou luzes sobre tempos de sombras e nos encoraja, até hoje, a enfrentar o autoritarismo e o totalitarismo em quaisquer de suas formas, forjando elementos de luta, criando instrumentos de resistência. Em mim fica a sensação de que as abordagens sobre a trajetória intelectual de Rosa de Luxemburgo possam ter secundarizado elementos que ela portava como indivíduo ou, dito mais simplesmente, que ela foi muito mais do que enxergamos.
Como escreveu Hannah Arendt em um ensaio sobre Rosa: "gostaria de acreditar que ainda há esperança para um reconhecimento tardio de quem ela foi e o que ela fez".
Eu também.



Nenhum comentário:

Postar um comentário