A
ROSA NO NOME
“por um mundo onde sejamos totalmente
iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”
(Rosa
Luxemburgo)
Quando se é menina e descobre que o mundo
pode ser mais plural e complexo que sua vista alcança, algumas personagens aparecem
em meio às possibilidades para decifrar caminhos, como exemplos e emblemas nos
mapas dos caminhos a seguir. Ler Rosa
Luxemburgo me fora tão ou mais impactante na adolescência militante quando
saber dela, de sua vida, sua luta contra todas as formas de tirania.
Dizer que Rosa viveu à frente de seu tempo - um entrecruzamento entre os Século XX e XXI - não parece bastante para definir
uma mulher judia, profundamente culta e sábia, que viveu e defendeu a liberdade com paixão
em todos os campos, na arte, no amor, no sexo. Fez importantes reflexões sobre
os indígenas, fundamentando que esses povos representavam valores, ideias e formas de organização
social superiores aos da civilização capitalista. Sofreu ataques machistas de
seus companheiros no partido socialista alemão, enxergou o potencial do feminismo.
Reconhecida como
uma das mais importantes revolucionárias de seu tempo, uma defensora da
revolução russa de 1917, não se esquivou de expor suas divergências e fazer críticas
dentro do campo de esquerda, mesmo aos bolcheviques. Presa várias vezes, foi assassinada pela socialdemocracia em 15 de janeiro de
1919, há exatos cem anos.
Se igualdade é a palavra que as
obras de Rosa imprimem ao pensamento revolucionário, inspiração é o que sua
vida evoca. De forma inédita, ela estabelecia suas condições de atuação em
terreno completamente hostil. Desse
modo, jogou luzes sobre tempos de sombras e nos encoraja, até hoje, a enfrentar
o autoritarismo e o totalitarismo em quaisquer de suas formas, forjando
elementos de luta, criando instrumentos de resistência. Em mim fica a sensação
de que as abordagens sobre a trajetória intelectual de Rosa de Luxemburgo
possam ter secundarizado elementos que ela portava como indivíduo ou, dito
mais simplesmente, que ela foi muito mais do que enxergamos.
Como escreveu Hannah Arendt em
um ensaio sobre Rosa: "gostaria de acreditar que ainda há esperança para
um reconhecimento tardio de quem ela foi e o que ela fez".
Eu também.

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