Deus
que me perdoe, mas 2015 foi um ano de cão. Tive uma perda irrecuperável, dores inconcebíveis, sonhos despedaçados. Vi - mais que antes - seres humanos se coisificarem no estranhamento do seu igual, sentindo orgulho ao exteriorizar seu ódio contra as diferenças, fossem políticas, raciais, de gênero ou políticas. Vi a ignorância e a violência verbal serem travestidas de liberdade de expressão, sem máscaras, pessoas expulsas de espaços públicos, de hospitais e restaurantes. Aturdi-me com homens públicos transformando a política no avesso de sua essência, com o rio doce que virou a lama da ganância, um mundo apavorado com tantas facetas do terror. Chorei a morte de meninos pela ação ou omissão de Estados, na praia, nas favelas. Assisti a música silenciar na nossa cidade com asas, ante a estupidez de políticas surdas.
Houve tantos estragos que 2016 vai ter que fazer um esforço danado pra fazer jus àquela tal esperança que sempre jogamos pra frente, pra resolver as pendências e colocar o trem nos trilhos.
Houve tantos estragos que 2016 vai ter que fazer um esforço danado pra fazer jus àquela tal esperança que sempre jogamos pra frente, pra resolver as pendências e colocar o trem nos trilhos.
Fato que se
acabasse hoje 2015 teria me derrotado. Mas ainda tenho três dias para grandes lances. E se perdi mesmo, foi um grande jogo. Encarei de
frente. Um dia vou crer que cresci com tudo que aconteceu, porque o melhor que
pude esteve presente.
“Se tivesse mais alma pra dar, eu daria
....”
Seguindo
a lógica dos últimos dias, provavelmente o ano novo aqui no Cerrado vai iniciar
com pouca chuva, assim como a pedir paciência.
Mais? Sempre se pode mais...
De
meu canto tudo que eu quero, de fato, é um sofrer mais brando, calmo, com
esperança de cura. Mais bálsamo nas feridas, menos ódio, mais amor nos corações, mansidão nas inquietudes, serenidade no desalento. Quero mais que isso não. O resto vem em consequência.
De
qualquer modo pretendo estar ai, com o sorriso escancarado na cara, esperando o
que virá. Se entendesse de futebol faria uma daquelas analogias que os homens
tanto gostam: pode mandar que mato no peito e chuto pro gol! Meio blefe, mais
desejo que força.
No
mundo real tô mais pra poesia (sempre, aliás!).
Assim,
ao invés de Neymar, sou Leminski: "Coração para cima escrito em baixo:
frágil!"
Mas inteira.

O ano foi miserável e é isso que ouço de todo mundo. 2016 será melhor porque é impossível ser pior que 2015.Tragédias demais. Por isso é muito importante desejar: Feliz ano novo!!!
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