"A vida na Terra é má"
(Justine. Melancholia. Lars von Trier. 2011)
Ontem no Senado quase jogado às moscas em véspera de feriado da República - essa senhora cujos princípios nunca estiveram tão postos a julgo - só se falava na tal super lua. Como no resto do país, creio. As fotos postadas nas redes sociais me lembravam o planeta fictício do Lars Von Trier em Melancolia. Uma imagem gigantesca e de uma beleza ímpar, daquele tipo que provoca fascínio.
Quem me conhece sabe da minha total falta de intimidade com essas
coisas de calendário lunar, constelações, astrologia, exoterismo e seus afins.
Mas, afinal, alguém precisa entender a lua? Sempre me ocorreu que apenas
louvá-la seja suficiente. E isso, na Amazônia, a gente aprende desde a tenra
idade. Nos primeiros anos de vida meu pai me cantarolava a cantiga da lua, sentados
na varanda de nossa casa, nuns versos comoventes e singelos: “lua, luar, quantos peixinhos há no mar, que
ninguém sabe contar? lua, luar, pega essa menininha e me ajuda a criar” Uma
parlenda que nunca vi em livro algum, mas ficou guardada fundo na memória dos
afetos.
A ausência dos predadores na câmara alta do parlamento
não é desprezível. Significa respirar alguma suavidade, ter uma conversa desse
jeito, que parece redonda, mas ao mesmo tempo pode faltar um pedaço. Ser crescente
para que possa ficar cheia de sentidos e quando minguante parecer um sorriso,
como aquele do gato de Alice.
É assim que seguimos daqui olhando o céu sem desgrudar
da Terra, com a exata noção de que as super nuvens às vezes nos impede de
enxergar o que está por trás e acima, e a imagem onírica que nos deslumbra ao
mesmo tempo pode, na antítese da impactante frase da protagonista do filme, a
depressiva Justine, nos impelir a manter a luta por um lugar bom para viver.

Lindo, profundo!!
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